Correspondentes revelam seus parques favoritos de Nova York

O Central Park não é a única área verde de Nova York. Conheça aqui os parques que são frequentados pelo Artur, pela Candi, pela Carol e pela Gabi.

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Riverside Park

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por Carol Matzenbacher

Na primeira vez que fui ao Riverside Park, uma velhinha puxou papo comigo e disse: “Ainda bem que os turistas ainda não descobriram isto daqui. Quando alguém de fora me pergunta onde fica o Riverside Park, eu digo: Riverside Park? Imagina! Não perca seu tempo! Vá ao Central Park!”.

Na época, o Riverside Park era meu amante. Era pra ser uma escapadinha, só pra explorar. No final, virou o oficial. Sempre morei perto do Central Park. Mas era verão, um bafo! Pela dimensão e localização do parque, é normal que fique extremamente úmido e cheio de turistas. Eu e o Central Park nos amamos nas minhas corridas invernais, mas quando começa a esquentar, cortamos laços. Entrego o parque aos turistas e busco aconchego na beira do rio.

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O Riverside Park é uma área verde banhada pelo rio Hudson que vai da rua 72 até a 158. O parque impressiona pela sua diversidade: tem ciclovias, pistas de corrida, quadras de tênis, futebol americano, churrasqueiras. Tudo de frente para o rio. No verão, é muito comum ver os nova-iorquinos frequentando a área como se estivessem na praia: tomam sol, remam caiaques e arriscam até um stand up paddle no rio.

Na primavera, é bacana conhecer a Cherry Walk, um caminho que vai da altura da rua 110 até a 125, onde é possível ver algumas cerejeiras remanescentes de uma leva de árvores que vieram do Japão em 1909.

Saiba tudo sobre a Cherry Walk neste link.

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O parque me ganhou pelo rio, pela brisa, pelo pôr do sol. É o único lugar da cidade que me desperta uma nostalgia do Brasil e do clima dos nossos litorais durante o verão. A natureza que você encontra lá também é muito bonita. No último domingo, enquanto eu fazia algumas imagens, uma moça me parou e disse: “eu sei que você está filmando algo lindo, mas quer que eu te mostre algo ainda mais encantador?”. A moradora do bairro me levou até a beira do rio, onde era possível ver uma pata aquecendo seus filhotinhos. Ao todo, eram nove, ela disse. Aliás, sempre que vou ao parque, vejo gansos atravessando a pista de corrida!

Mas quer saber o que eu mais gosto no Riverside Park? Do amor que os locais têm por ele.


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 Prospect Park

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por Gabriele Branco

Não sei se foi porque meu melhor amigo disse que eu amaria, se foi porque pisei ali pela primeira vez enquanto mostrava Nova York para os meus pais, mas o Prospect Park e eu nos demos bem logo de cara. “É bem longe, mas achei melhor que o Central Park”, anunciou o amigo. Mas o tal amigo não gosta de nada que todo mundo gosta, então provavelmente ele estava exagerando, né? Não.

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A área verde com dois terços do tamanho do Central Park foi imaginada por Olmsted e Vaux, os mesmos dois arquitetos que desenharam o irmão mais velho em Manhattan. Situado no Brooklyn, ao lado da biblioteca pública e do jardim botânico, o parque pode ser considerado o caçula esquisitinho entre os projetos nova-iorquinos da dupla – que também tem dedo no Capitólio norte-americano, em Washington. Mas eu sempre me dei melhor com os esquisitinhos, mesmo.

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Você não vai encontrar o parque nas páginas dos guias mais tradicionais, mas, pra mim, foi fácil me sentir em casa. É bobagem, não faz sentido, mas parece até que eu fico mais inteligente a cada volta que dou por lá. As pessoas parecem todas interessantes, os casais são bonitos, as crianças são índigo e os cachorros, de filme.

Tem gente fazendo churrasco, piquenique, trilha, lendo, praticando esportes que eu nem conheço, pescando, dormindo, namorando, correndo, dançando, gravando curta… E, agora, tem food park também: o Smorgasburg, um food market nascido no Brooklyn, ganhou novo endereço aos domingos a partir deste ano.

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Buscando as mais de 100 bancas instaladas em um canto do parque, me perdi umas quatro vezes. Mas eu adoro me perder em Nova York: nesses desvios, encontrei um festival de música, uma pista de patinação, uma família comemorando um aniversário…

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E saí com os votos renovados: Prospect Park, esse nosso caso é sério.


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Washington Square Park

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por Candice Carvalho

Demorei para perceber a pluralidade do parque, mas já gostava dele por algum motivo. Um destes motivos que não se explicam… Como quando conhecemos alguém e, de cara, já sabemos que no instante de um olhar ou abraço ou sorriso, um laço começa a se formar.

Eu caminhava com um amigo à noite. Os parques em Nova York têm hora para fechar, mas os adolescentes que moram na gente disseram para burlar a regra, pular a cerca e sentar debaixo de uma árvore para uma longa conversa madrugada adentro. Ali me apaixonei. Não pelo meu amigo, por quem tenho amor, não paixão, mas pela Washington Square. Só depois pensei que não estávamos a sós. Com certeza alguns ratinhos nova-iorquinos ouviam atentamente ao papo de dois humanos intrusos, invasores do espaço que, à noite, é todo deles. Mas isso não vem ao caso. De dia a praça é de todos. Todos mesmo. De artistas de rua a Garibaldi. Pois é, Garibaldi! Levei um susto quando vi que no meio do parque tem uma escultura em homenagem a Giuseppe Garibaldi, general italiano, herói dos dois mundos, comandante da Marinha Farroupilha na Guerra dos Farrapos.

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Nos finais de semana, o parque fica lotado por um bando de moradores do Village, estudantes, artistas de rua e alguns turistas. Pode ter sido a inspiração Garibaldi, mas parte da galera do NY Like a Local – quase toda gaúcha – resolveu fazer uma sessão de Graforreia Xilarmonica na viola em um domingo de sol (quem não é do Sul, dá um Google aí em ”Amigo Punk” e vocês vão entender ;P).

NY é tão bom que tem até um Parque Farroupilha 😂😁✌️! #amigopunk @carolinapetry @andregolbert

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Eu falei em pluralidade. A praça é frequentemente o cenário de protestos e manifestações políticas. Há poucas semanas, o pré-candidato à presidência dos EUA, Bernie Sanders, reuniu mais de 20 mil pessoas em um comício que fez na Washington Square.

Neste final de semana, um jovem pianista tocava um piano de cauda que foi simplesmente colocado no meio do parque. Enquanto ele entretia dezenas, um baterista do outro lado da praça entretia outras dezenas. No centro da praça, entre a bateria e o piano, duas crianças que deviam ter no máximo 12 anos tocavam violão para uma plateia atenta.  Ao redor, uns liam, como este moço de cabelos encaracolados. Outros tomavam sol, conversavam, cantavam, brincavam… A Carol – a Local que fez as fotos deste post – e eu olhávamos com olhos interessados em tudo, tudo o que acontecia no pequeno raio ao nosso redor, como espectadoras da vida que acontecia diante das lentes dela e dos meus olhos.

Ah… É preciso deixar claro que, depois daquela madrugada, minha paixão pela Washington Square logo amadureceu e virou amor. Paixão e amor geralmente são coisas que a gente sente, não explica, mas eu tentei explicar para vocês, na tentativa de que vocês também possam gostar ou, quem sabe, até venham a amar a Washington Square. E amando a Washington Square, possam ser supreendidos pela tal da pluralidade que eu falei no início e que, na minha opinião, é a mais pura tradução da experiência nova-iorquina.


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 Battery Park

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por Artur Gelumbauskas

De histórias, o Parque da Bateria está cheio. Ele fez a minha história na cidade, mas, mais do que isso, vem fazendo a história da própria cidade desde quando nascera. Começando pelo nome, é onde parte da artilharia contra navios estrangeiros estava montada para evitar qualquer invasão ao Rio Hudson ou à Nova Amsterdam, antigo nome dessa querida cidade em questão antes de ser rebatizada.

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Além disso, possui diversos memoriais como o da Guerra da Coréia, o da Segunda Guerra Mundial e, o mais recente, a esfera que servia de recepção ao World Trade Center original e que foi a única peça inteira após o incidente de 11 de Setembro.

O parque vem passando por sua fase final de renovação e deve ficar pronto até o final do verão desse ano, contando com novas faixas para bicicletas, um novo carrossel – inspirado no mar – para as crianças, e também com a abertura completa do Píer A, primeiro porto da cidade, depois de ser transformado em bar e restaurante funcionando até as quatro da manhã.

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Por sua localização e por estar no meio de uma área mais residencial, creio que o Battery Park seja o mais bonito e o mais local de todos os parques da cidade. Sinto muito, mas a vista para a Estátua da Liberdade, para a antiga Estação Central de New Jersey, para Jersey City e para o Rio Hudson, de quem está sentado no único banquinho sobre a ponte do (quase) jardim japonês iluminado por suas lamparinas azuis durante o pôr do sol, é imbatível. Discutam o quanto quiserem, mas voltem ao Battery Park.

No mapa a seguir, confira a localização dos nossos parques favoritos:

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NY Like a Local

Somos quatro brasileiros compartilhando a experiência de viver em Nova York. Todos os dias, descobrimos algo novo nesta cidade. Vamos ajudar você a não perder tempo com dicas furadas, para viver a cidade do jeito que ela deve ser. Como um local. Like a local!

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