Como vive quem trabalha em um restaurante premiado em Nova York

Trabalhar em um restaurante que alcançou a premiação máxima em um dos guias gastronômicos mais respeitados do planeta não é uma tarefa para fracos. Se for em uma das cidades mais competitivas do planeta, então, nem se fala. Helen Longhi Wagner trocou a calmaria de Florença, onde dava aulas de gastronomia, pelo caos de Nova York há quase um ano. Ela nem levou a sério quando um de seus alunos pediu para que ela lhe enviasse o currículo. “Sou amigo de um dos mais importantes chefs dos Estados Unidos”, disse ele. Mesmo pensando que não daria em nada, Helen mandou e, em poucos meses, estava procurando apartamento na Big Apple.

Trabalhando por volta de 14 horas por dia, sete dias consecutivos, quase sem folgas e com um contrato que a proíbe de explicitar onde trabalha (um de seus colegas foi demitido por desrespeitar os termos ao postar uma selfie na labuta), Helen pouco pôde aproveitar da cidade que nunca dorme. Quando não trabalha, tenta conhecer a concorrência e descobrir o que Nova York pode oferecer gastronomicamente. Com os braços mostrando algumas das queimaduras que o dia a dia na cozinha traz, Helen acredita que o mercado nova-iorquino realmente seja um dos mais acirrados e exigentes: “Não existe intervalo para sentar, fumar, nada. Nem todos os restaurantes estrelados são assim”.

helen

Quando o restaurante recebe “intercambistas”, o ritmo dos intrusos parece muito menos acelerado. E ao visitar estabelecimentos que não têm tantas estrelas quanto o que trabalha, percebe a diferença no preparo e no empratamento. Ela é o tipo de pessoa que dá um pouco de medo de levar a um restaurante: as chances de ela imprimir duras críticas são sempre grandes.

Entre os pontos altos de Nova York, Helen sugere o italiano Del Posto, do chef Mario Batali – nome por trás do Eataly. O menu não perde nada em sabor para a verdadeira cozinha italiana, de acordo com Helen. Se a pedida for um bom e barato, a dica da chef é o ViceVersa, onde ela experimentou o melhor pannacotta que já comeu. E aonde não ir? Ao famoso Becco, de Lidia Bastianich, outra chef-celebridade da cozinha ítalo-americana. “Pelo menos a carta de vinhos é ótima, com bons preços”. Outra furada é o intimista Briciola, que se propõe a honrar a tradição italiana e, para Helen, não supera a mediocridade. Os famosos cupcakes da Magnolia Bakery também não a agradaram: “Bolo seco, sabor de corante artificial”, sentencia.

Com o contrato chegando ao fim nos próximos meses, a gaúcha que passa mais de metade dos seus dias de pé em uma consagrada cozinha de Nova York anseia pelo mês sabático planejado para, enfim, explorar a cidade: “Me nego a ir embora sem ter realmente conhecido Nova York”. E a rotina dura trouxe algum arrependimento? “Faria tudo de novo”, encerra.

Advertisements

Gabriele Branco

Mudou o endereço de Porto Alegre para Nova York em 2015, mas desde que pisou em Manhattan pela primeira vez, em 2012, sentiu que era o tipo de ar certo para ela. Apaixonada pelo jornalismo e vivendo de freelances, se arrisca atrás das lentes e se sente completa ao compartilhar suas histórias por aí.

Submit a comment

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s