Martha’s Vineyard: quatro dias na ilha que é refúgio para presidentes americanos

Em Martha’s Vineyard eu aprendi a pilotar um drone, tomei banho de mar depois de mais de três anos, tirei fotos com lhamas, virei fã de ostras e me apaixonei por um dos céus mais estrelados que já vi. Desde que me mudei pra Manhattan, há três anos, posso contar nos dedos as vezes em que fui viajar e que, em algum momento, não senti saudade de Nova York. Certamente, eu poderia ter passado muito mais do que quatro dias em Martha’s Vineyard:

Tive muita sorte de conhecer a ilha acompanhada por locais – eu e meu namorado ficamos na casa de um amigo muito próximo da família dele que cresceu em Edgartown. Isso nos poupou muitas pesquisas e gastos com hotel e transporte – Martha’s Vineyard é grande demais pra ficar a pé. A ilha é dividida em seis pequenas cidades: Oak Bluffs, Edgartown, Chilmark, Aquinnah, Tisbury e West Tisbury.

Aqui neste mapa, você pode ver todos os lugares que visitei durante os quatro dias na ilha:

Se você for de carro, pode ir até o sul de Cape Cod, na cidade de Woods Hole, em Massachusetts, pegar uma balsa e descer em Vineyard Haven ou em Oak Bluffs.

Saindo de Nova York, é possível também pegar um barco que sai de Manhattan. A viagem dura quatro horas e os trechos custam US$ 160 com a opção de saída nas sextas-feiras e retorno aos domingos somente. É também possível pegar um avião – enquanto estávamos lá, encontramos um trecho de Martha’s Vineyard para La Guardia por US$ 53! Achei que fosse bem mais caro. Se você for e voltar em dias da semana, os preços são justos.

Foto: Carol Matzenbacher
Movimento aéreo no Martha’s Vineyard Airport. Foto: Carol Matzenbacher

Você não precisa ir de avião pra conhecer o aeroporto da ilha. O diner da área de espera do Martha’s Vineyard Airport é destino para locais, que vão tomar café da manhã e ver o movimento humano e aéreo. É divertido assistir a famílias lindas desembarcando de seus aviões particulares com crianças e cachorros pra veranear na ilha.

Tinha receio de que Martha’s Vineyard fosse um centro de exibicionismo, com pessoas arrumadíssimas, carrões, sabe, essas coisas que a gente assiste nos filmes. Na verdade, nem nos filmes a gente vê – entre os poucos longas filmados na ilha, Tubarão, de 1975, pouco tem a ver com a realidade. 

Martha’s Vineyard só tem uma coisa a ver com Amity Island: a Jaws Bridge, ponte nomeada em referência ao filme, de onde é tradição se atirar e cair com tudo no mar. Mas, em vez de tubarões, alpacas e lhamas são os mascotes de Martha’s Vineyard. A Island Alpaca é uma fazenda com chiqueirinhos para os pequenos. As lhamas estão nos cercados de um fazendeiro local em Edgartown que, peculiarmente, deixa os animais soltos pelos gramados. Tive que mostrar a preguiça dessas lhamas com as imagens que você vê no vídeo a seguir:


MENEMSHA

Um dos lugares que eu mais gostei de visitar foi Menemsha, uma aldeia de pescadores em Chilmark. No centro dela, em uma plataforma rodeada por barcos, você encontra uma lojinha que vende artefatos para pesca, um posto de gasolina para barcos e um pequeno mercado onde vendem-se frutos do mar recém-pescados.

ostras3
Ostras recém pescadas do Larsen’s Fish Market. Foto: Carol Matzenbacher

A cozinha do Larsen’s Fish Market é pequenininha. Em uma loja sem portas, você pode ver tudo o que acontece lá dentro, desde a chegada dos pescadores, que vão e voltam para abastecer a vendinha com mariscos coletados na hora. Na cozinha, eles preparam lagostas, clam chowder – uma sopa cremosa de moluscos – ostras frescas e o delicioso stuffed quahog – um marisco com casca recheado. Todos esses pratos são típicos da ilha e do nordeste americano como um todo. Não dá pra deixar de experimentar.

Ao entardecer, vimos um pôr do sol incrível, com direito a barcos e caiaques estacionados pra ver o alaranjado do entardecer. Assim que o sol se põe, todo mundo aplaude e celebra o espetáculo na natureza.

003
Menemsha é um dos lugares para ver o pôr do sol. Foto: Carol Matzenbacher

Outro lugar comum de ir ver o pôr do sol é no paradouro de onde se vê o farol e as falésias de Gay Head, dupla famosa de cartões postais de Martha’s Vineyard. Em 2015, em uma grande construção, o farol teve que ser movido a 40 metros de distância para ser salvo da corrosão natural das falésias.

ezgif.com-video-to-gif


O Edgartown Harbor Lighthouse é outro farol conhecido na cidade. Para subir até o topo é necessário pagar US$ 5. Eu subi e fiz imagens lindas! E, enquanto isso, o JD brincava com o drone:

drone
O farol Edgartown Harbor Lighthouse visto de drone. Foto: JD Grayson

Lá de cima, a gente vê a dimensão da ilha, a terceira maior do nordeste americano. A cor do mar impressiona. Em geral, a água de Martha’s Vineyard é cristalina e calma, com poucas ondas. No fim de junho, o mar ainda é gelado – pra entrar na água, tive que fazer aquele esforcinho com o clássico “fica que acostuma”. Ouvi dizer que a água fica mais gostosa em agosto. Aqui neste link, você encontra uma lista com todas as praias da ilha.

Screen Shot 2016-07-05 at 12.07.48 PM
Águas cristalinas vistas do alto do farol Edgartown Harbor Lighthouse. Foto: Carol Matzenbacher

OAK BLUFFS

P1350839
Casinhas de boneca no centro de Oak Bluffs. Foto: Carol Matzenbacher

Martha’s Vineyard só ganhou meu coração depois de conhecer Oak Bluffs, o centro mais movimentado da ilha. No século XIX, a região começou a se formar a partir de um acampamento religioso, onde fiéis iam rezar e acampavam em barracas improvisadas que, em seguida, começaram a ganhar arquitetura. Hoje, a região é povoada por cerca de 300 casas remanescentes, as quais os americanos chamam de gingerbread houses, casarões coloridos e floreados que muito se parecem com casinhas de boneca.

002
Oak Bluffs vista de drone. Foto: JD Grayson

Caminhar pelo centro de Oak Bluffs é lindo! Até mesmo o fliperama da região é todo vintage, e também é endereço do carrossel mais antigo dos Estados Unidos. No centrinho da cidade, você não pode deixar de comer um sorvete artesanal, preparado na ilha, e o fudge, uma sobremesa feita com açúcar, manteiga e leite que endurece quando refrigerada. É legal de passar em uma loja de fudge e assistir aos funcionários preparando e cortando barras de chocolate deliciosas.

Uma ilha tão doce, de águas cristalinas e casarões invejáveis, que também ganha status de queridinha dos presidentes americanos. Martha’s Vineyard foi refúgio de férias para os Kennedy, os Clinton e os Obama, que retornam a ilha em agosto deste ano para as últimas férias de Barack como presidente.

Barack Obama, Michelle Obama
Michelle e Barack Obama em Martha’s Vineyard. Foto: Reprodução / Politico.com

Sempre soube que Obama era um cara sensato. Martha’s Vineyard é uma ilha incrível, que me surpreendeu pela diversidade de atrações, pela simplicidade e pelos locais, que facilmente levantam conversas interessantes sobre a ilha, o mar e a vida.

Espero que tenham gostado do passeio por Martha’s Vineyard. Aqui, você acompanha as descobertas de quatro locais que moram em Nova York e mostram destinos que só quem é daqui conhece.

As imagens do vídeo no topo do texto foram ao ar no encerramento do programa Manhattan Connection do dia 3 de julho.

Advertisements

Submit a comment

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s