Galeria no Brooklyn expõe obras de artista local de forma descontraída

Acordamos com a cidade embranquecida pela neve. Indo ao supermercado, caminhando com cuidado para não cair na calçada ainda escorregadia, encontrei um lugar que me chamou a atenção (e morar em Nova York é quase que totalmente sobre vagar despretensiosamente e encontrar alguma coisa interessante. Serendipity que chamam isso, não é?). Tirei algumas fotos da fachada, achei os sinais engraçadinhos e convidei meu marido: “Vamos ver o que é?”

Do lado de fora não dá pra ter certeza do que está acontecendo naquela esquina da 4th Ave com a Bergen Street, em Boerum Hill, no Brooklyn. Decidimos entrar. Dois rapazes, dois cachorros e um gato nos receberam e passaram a discorrer (os rapazes, no caso) sobre a história de Stephen Powers, que começou a carreira fazendo pichações na Filadélfia.

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O trabalho de Powers pelas ruas do Brooklyn. Foto: Divulgação

Powers assinava ESPO naquela época, um acrônimo sonoro de seu nome. Ao mudar-se para NYC, pichava portas de aço de estabelecimentos comerciais. Hoje tem sua obra espalhada pelo mundo todo, com artes que levam seu nome em São Paulo, Tóquio, Dublin, Johannesburgo e, claro, Nova York.

Na galeria, os preços começam lá embaixo: por US$ 10, você pode adquirir adesivos do artista. As impressões (que são produzidas na casa, assim como camisetas, que custam cerca de US$ 30) saem a partir de US$ 50 e obras originais podem ser adquiridas por milhares de dólares. O engraçado é que, nos quatro anos de galeria no Brooklyn, os transeuntes acabam se confundindo com a arte lida como sinalização.

Tem quem entre lá pedindo pra fazer chaveiro, achando que a loja é especializada em sinais e querem orçamento para a fachada de suas lojas. E não pense que a negativa é imediata: dependendo de qual for o estabelecimento, eles até topam. Se o negócio for um café que eles gostariam de frequentar, por que não emprestar a arte para identificar o local?

Visitar a galeria de Powers é uma experiência que, para mim, resume a vida em Nova York. Você conhece pessoas com histórias para contar, que não diferenciam os visitantes de acordo com sua roupa ou aparência, aproveita para reabastecer o Instagram com algumas fotos bacanas, faz carinho em animais fofos e ainda sai de lá de coração e mente reabastecidos. Só faltou o café.

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Veja no mapa:

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Gabriele Branco

Mudou o endereço de Porto Alegre para Nova York em 2015, mas desde que pisou em Manhattan pela primeira vez, em 2012, sentiu que era o tipo de ar certo para ela. Apaixonada pelo jornalismo e vivendo de freelances, se arrisca atrás das lentes e se sente completa ao compartilhar suas histórias por aí.

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